Melampodium divaricatum e os instintos botânicos de auto medicação canina

Minha cadela passa horas a fio fuçando o quintal atrás de uma plantinha com minúsculas flores amarelas. Quando acha, escolhe as folhas mais tenras e se refestela em sua salada.

É diferente de quando ela está mal da barriga e engole qualquer mato sem mastigar para o novelo de grama forçar o vômito. Essa margaridinha não. Ela come devagar, chego a afirmar que degusta a coisa! E é obstinada em achá-la.

Desde então, tenho procurado saber o que seria esse “mato” que brota espontâneamente de vez em quando. O nome científico é Melampodium divaricatum. Para os íntimos, atende por falsa-calêndula, botão-de-ouro e… botão-de-cachorro. Coincidência?
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Arquétipos e elementos sobrenaturais em animação infantil – Fantasia (1940)

Este post faz parte da série Arquétipos, possuindo a mesma introdução antes da análise do filme.

Em muitos lugares, o primeiro contato de uma criança com conceitos sobrenaturais se dá nas práticas culturais da própria sociedade a qual pertence. No mundo ocidental urbano, isso se torna cada vez mais raro e a introdução ao universo “mágico” acontece, em grande parte das vezes, através de livros e filmes voltados ao público infantil.

Gostaria de poder afirmar que ambas as mídias estão presentes com a mesma intensidade. Mas o que vejo, ao menos a minha volta, é a predominância das obras cinematográficas, especialmente dos grandes estúdios como Disney, Pixar e Dreamworks moldando a primeira visão que se tem sobre espiritualidade, independente da religião que os pais porventura queiram ensinar a criança.

Há quem veja esse fato de uma maneira extremamente negativa. Vocês provavelmente já os viram por aí berrando aos quatro ventos que certos desenhos são coisas do capiroto para desviar os inocentes do bom caminho. Asseguram-se de que seus pimpolhos só verão desenhos bíblicos. Exortam todos os pais “conscientes” a não deixar esses “lixos da Nova Era” (seja lá o que queiram dizer com isso) entrar nos domínios do seu santo lar (Sim, estou falando com VOCÊ que rasgou o livro do Harry Potter do seu sobrinho).
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Páscoa – os Deuses dos Ovos na Guerra dos Símbolos

Domingo de Páscoa. As crianças se lambuzam de chocolate. Algumas atazanam um pobre coelho de verdade, obeso e neurótico, que alguma tia teve a brilhante ideia de comprar. No meio do santo almoço em família, uma voz consternada sempre se levanta:

“É um absurdo o que o consumismo fez com a Páscoa. Todo mundo só quer saber dos ovos, ninguém lembra do verdadeiro dono da festa… O COELHO NÃO MORREU NA CRUZ PARA PAGAR POR NOSSOS PECADOS!”

As crianças começam a chorar assustadas com os rompantes dos adultos e com a imagem perturbadora do coelhinho crucificado (elas não se espantam com Jesus crucificado porque já se acostumaram a vê-lo pregado na cruz. Na missa, no altarzinho da sala, no pingente da mamãe… para elas é normal que ele esteja ali).

Discurso moralista feito, alguns concordam enfaticamente, desfrutando da empatia que a indignação em comum gera, e o feriado segue igual a todos os anos: com bacalhau, chocolate e, dependendo da sua religião, preces e louvores em ação de graças a Jesus Cristo, por seu sacrifício em nome da humanidade e merecida ressurreição.

A revolta seria legítima se não fosse por um detalhe: JC não é o original dono da festa. Na verdade, são “donas”.

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Tillandsias – Observações em Biomimética

Tillandsias são bromélias mágicas que não precisam de solo e quase nenhuma rega para sobreviver. Elas transmutam o elemento ar em terra e água. E, claro, cientistas são atraídos por coisas mágicas como formigas por mel. E para que? Para explicá-las. Como se algo que possui explicação científica deixasse de ser mágico.

Como diz o samba, “desde os tempos mais primórdios”, a humanidade se inspira na natureza. Taí Leonardo daVinci com suas máquinas voadoras inspiradas em pássaros e morcegos que não me deixa mentir. O que na época era “inspiração na natureza”, sofreu um revival após um período extremamente industrial e hoje virou uma ciência: a Biomimética – estratégia que busca solucionar problemas copiando formas e comportamentos biológicos.

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As listras invisíveis das mulheres

E se te dissessem que as mulheres são listradas? Que elas têm um padrão mágico secreto tatuado pela Vida em suas peles como se fossem uma zebra ou tigresa? Pois de acordo com a ciência, elas tem sim.

Já tratamos sobre Epigenética em outro post, então, resumidamente, é a ciência que estuda como o organismo liga e desliga nossos genes. A escrita do DNA é estável (mutações são coisas raras e imprevisíveis), mas a maneira de ler este código pode variar muito de acordo com as necessidades do indivíduo. Afinal, todas as nossas células possuem as mesmas informações genéticas, mas cada tipo de célula precisa de proteínas diferentes para funcionar. Elas necessitam “silenciar” todos os outros genes dos quais não precisam. Por exemplo, uma célula do pancreas precisa da informação de como fabricar insulina, mas a receita da síntese de oxitocina é inútil para ela. E como as células “dizem” quais genes devem ser ignorados pelo RNA (o “leitor/tradutor” do DNA na configuração de proteínas)? Um dos métodos se chama metilação. Mas primeiro vamos relembrar as aulas de Ciências.

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Arquétipos e elementos sobrenaturais em animação infantil – Pinóquio

Este post faz parte da série Arquétipos, possuindo a mesma introdução antes da análise do filme.

Em muitos lugares, o primeiro contato de uma criança com conceitos sobrenaturais se dá nas práticas culturais da própria sociedade a qual pertence. No mundo ocidental urbano, isso se torna cada vez mais raro e a introdução ao universo “mágico” acontece, em grande parte das vezes, através de livros e filmes voltados ao público infantil.

Gostaria de poder afirmar que ambas as mídias estão presentes com a mesma intensidade. Mas o que vejo, ao menos a minha volta, é a predominância das obras cinematográficas, especialmente dos grandes estúdios como Disney, Pixar e Dreamworks moldando a primeira visão que se tem sobre espiritualidade, independente da religião que os pais porventura queiram ensinar a criança.

Há quem veja esse fato de uma maneira extremamente negativa. Vocês provavelmente já os viram por aí berrando aos quatro ventos que certos desenhos são coisas do capiroto para desviar os inocentes do bom caminho. Asseguram-se de que seus pimpolhos só verão desenhos bíblicos. Exortam todos os pais “conscientes” a não deixar esses “lixos da Nova Era” (seja lá o que queiram dizer com isso) entrar nos domínios do seu santo lar (Sim, estou falando com VOCÊ que rasgou o livro do Harry Potter do seu sobrinho).

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Imprinting Energético

Você pode sentir o cheiro da pasta de dente no hálito de uma pessoa, mas não pode, como um cão, detectar se esta pessoa está doente.

Você pode sentir o gosto da saliva de uma pessoa, mas não pode, como uma girafa, determinar pelo paladar se a urina desta pessoa contém hormônios que indicam período fértil.

Você pode sentir quando vai chover pela observação do tempo. Mas dificilmente conseguirá prever um terremoto ou furacão como a maioria dos animais.

Somos uma espécie quase que energeticamente cega. A energia mais perceptível para nós é a da luz. Tudo o que escapa aos nossos sentidos ou razão costuma ser combatido. Na melhor das hipóteses, ignorado. No entanto, como nos mostram os animais, há cores no espectro que não conseguimos sequer imaginar. O que impediria então a existência de energias sutis o suficiente para ainda não possuir tecnologia compatível que a detecte?

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Sapiens x Evolutis – A Evolução se tornará um produto?

Australopitecos, Neandertais, Cro-Magnon. Volta e meia nos deparamos com alguma descoberta arqueológica acerca deles. E cada vez que isso acontece, a cronologia de sua aparição, apogeu e extinção fica mais confusa. Cada vez mais aparecem indícios de que algumas espécies coabitaram o planeta na mesma época, inclusive procriando entre si.

Mas o H. Sapiens levou a melhor. Por enquanto. Pra começar, não é totalmente correto afirmar que os Neandertais foram extintos. Na verdade, eles vivem em muitos de nossos genes.

 

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Epigenética e Microfisioterapia – a magia vira ciência

Epigenética é uma parte relativamente recente da ciência. Tão recente que ainda pode ser considerada como “mágica”. Que melhor conceito do que magia poderia ser aplicado ao fenômeno do nosso wyrd/karma/destino ser modificado pelos nossos sentimentos, o ambiente em que vivemos e até pelas ações de antepassados que sequer chegamos a conhecer?

Por “destino” a ciência considerava o código DNA de cada indivíduo, percebido até bem pouco tempo atrás como imutável. Se você nasceu com o gene para orelhas grandes, nada poderia te impedir de virar o Dumbo na escola. Estava “escrito” nos seus genes (ciência) com muito mais força do que nas estrelas (crenças).

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Arquétipos e elementos sobrenaturais em animação infantil – Branca de Neve

Este post faz parte da série Arquétipos, possuindo a mesma introdução antes da análise do filme.

Em muitos lugares, o primeiro contato de uma criança com conceitos sobrenaturais se dá nas práticas culturais da própria sociedade a qual pertence. No mundo ocidental urbano, isso se torna cada vez mais raro e a introdução ao universo “mágico” acontece, em grande parte das vezes, através de livros e filmes voltados ao público infantil.

Gostaria de poder afirmar que ambas as mídias estão presentes com a mesma intensidade. Mas o que vejo, ao menos a minha volta, é a predominância das obras cinematográficas, especialmente dos grandes estúdios como Disney, Pixar e Dreamworks moldando a primeira visão que se tem sobre espiritualidade, independente da religião que os pais porventura queiram ensinar a criança.

Há quem veja esse fato de uma maneira extremamente negativa. Vocês provavelmente já os viram por aí berrando aos quatro ventos que certos desenhos são coisas do capiroto para desviar os inocentes do bom caminho. Asseguram-se de que seus pimpolhos só verão desenhos bíblicos. Exortam todos os pais “conscientes” a não deixar esses “lixos da Nova Era” (seja lá o que queiram dizer com isso) entrar nos domínios do seu santo lar (Sim, estou falando com VOCÊ que rasgou o livro do Harry Potter do seu sobrinho).

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